{"id":683,"date":"2008-11-17T11:03:00","date_gmt":"2008-11-17T11:03:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2020-12-30T01:09:01","modified_gmt":"2020-12-30T01:09:01","slug":"vi-te-por-detrs-duma-secretria-ao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alforria.pt\/?p=683","title":{"rendered":"Realidade dum Pesadelo"},"content":{"rendered":"<table align=\"center\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"0\" class=\"tr-caption-container\" style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/psicanalista.pt\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/pesadelo.jpg\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"tr-caption\" style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.pinterest.com\/kaufmannmerc\/\">Kaufmann Mercantile&nbsp;<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Vi-te por detr\u00e1s duma secret\u00e1ria, ao telefone, na minha primeira vis\u00e3o da tua exist\u00eancia sem mim. Num olhar imediato, reparei que tinhas rapado o cabelo, e usavas, agora, uns \u00f3culos quadrados, daqueles que n\u00e3o t\u00eam arma\u00e7\u00e3o. Pelos vistos, deixaste de temer a reac\u00e7\u00e3o \u00e0 calv\u00edcie, aquele que era um dos teus maiores receios, por pensares que poderia deixar de gostar de ti quando ficasses careca. Da\u00ed a tua alegria quando te disse, ao acaso, naquela tasca ao sul, que o que esses homens perdiam em cabelo, ganhavam em charme.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o onde estavas, n\u00e3o era muito grande e tinha muita gente \u00e0 tua volta, essencialmente colaboradores. Numa placa c\u00e1 fora dizia: Instituto de Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional, a verde, claro est\u00e1, e tu, ao que parece, eras o respons\u00e1vel daquela unidade e daquela equipa. Ficava na Almada velha e as instala\u00e7\u00f5es ficavam muito perto do Bes. Pensei imediatamente que poder\u00edamos almo\u00e7ar juntos, mas logo me dei conta que delirava.Tinhas seguido com a tua vida, e na altura em que sa\u00ed dela, foi quando tudo te come\u00e7ou a correr bem, e a mim, tudo mal. Tu com novo emprego, nova mulher, quem sabe uma nova morada. Deixarias, por fim, o teu quarto apertadinho, com a janela de grades, onde, tantas vezes me dizias, sentir-te prisioneiro. Arranjaste uma vers\u00e3o melhorada de mim. Eu continuava com o emprego chato, pessoas desinteressantes, uma casa sem alma que gerava quotidianamente um relacionamento nado-morto.<\/p>\n<p>No dia em que te vi, comemorava-se a festa dum santo qualquer. Provavelmente o S\u00e3o Jo\u00e3o.Lembro-me, vagamente, de ir caminhando ao mesmo tempo que martelava num muro. Ia com algu\u00e9m. Num di\u00e1logo for\u00e7ado, mas n\u00e3o me recordo de quem. S\u00f3 dumas pernas a caminharem \u00e0 minha frente.<\/p>\n<p>\u00c9 como me sinto, apenas um corpo, preso por fios invis\u00edveis, que me d\u00e3o a sensa\u00e7\u00e3o, aparente, de haver vida para al\u00e9m de ti.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kaufmann Mercantile&nbsp; Vi-te por detr\u00e1s duma secret\u00e1ria, ao telefone, na minha primeira vis\u00e3o da tua exist\u00eancia sem mim. Num olhar imediato, reparei que tinhas rapado o cabelo, e usavas, agora, uns \u00f3culos quadrados, daqueles que n\u00e3o t\u00eam arma\u00e7\u00e3o. Pelos vistos, deixaste de temer a reac\u00e7\u00e3o \u00e0 calv\u00edcie, aquele que era um dos teus maiores receios, por pensares que poderia deixar de gostar de ti quando ficasses careca. Da\u00ed a tua alegria quando te disse, ao acaso, naquela tasca ao sul, que o que esses homens perdiam em cabelo, ganhavam em charme. O espa\u00e7o onde estavas, n\u00e3o era muito grande e tinha muita gente \u00e0 tua volta, essencialmente colaboradores. 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